"Excesso de obrigações, o desejo de atender a tudo e a todos, a culpa e o rigor são traços comportamentais que nos levam à situação limite"
A síndrome do pânico, que tem acometido um número cada vez maior de pessoas, é na verdade um descontrole da ansiedade. A ansiedade é um estado corporal de medo, quando o organismo se prepara para lutar ou fugir. É um estado de emergência. Quando o perigo é real e iminente a ansiedade é uma defesa natural. Quando, porém, ela é provocada pelos perigos imaginários, ela é uma resposta a um estilo de vida, pautado por expectativas, cada vez maiores, no que se refere à vida pessoal, profissional, financeira e outras.
A frustração decorrente dessas expectativas irrealistas faz parte da desordem do pânico. Muitas vezes na nossa vida não conseguimos alcançar nossos desejos. Nossos relacionamentos afetivos não são estáveis ou felizes como gostaríamos, a situação financeira nem sempre é tão boa, agravada pelo desemprego, além de separações e perdas que aparecem constantemente. Tudo isso, aliado à uma mente perfeccionista e, portanto, exigente, faz da nossa vida um perigo iminente. O nosso corpo entra em alerta máximo, provocando um distúrbio generalizado:
- sensação de cansaço;
- sensação constante de fadiga;
- dificuldade para se concentrar;
- irritabilidade;
- tensão muscular;
- distúrbios do sono.
Esse quadro de desordem da ansiedade pode evoluir para o chamado ataque do pânico. Isso significa que a base é a ansiedade. O pânico é a manifestação dessa ansiedade de maneira intensa, de curta duração com outras manifestações corporais:
- taquicardia, palpitações;
- sudoreses, tremores;
- sensação de desmaio, dor no peito, náuseas;
- sensação de tonteira, desmaio;
- medo de perder o controle, de enlouquecer;
- sensação de morte; etc.
A síndrome do pânico, portanto, é um grande sinal de alerta para o estilo de vida que a leitora Elizabeth tem levado. Excesso de obrigações, o desejo de atender a tudo e a todos, a incapacidade de dizer não, o medo de ser egoísta, a culpa e o rigor consigo mesma são traços comportamentais que nos levam à situação limite: pânico.
Sob esse aspecto, ele vem com um grande objetivo: nos chamar para uma mudança de vida. A nossa época se caracteriza pela ansiedade, pelo corre-corre, pela acentuada pressa em tudo, pela mudança avassaladora. Culpar o mundo, a sociedade ou a cultura por nossos problemas emocionais não é de muita valia, a não ser um certo alívio imediato. E tem a desvantagem de nos paralisar no caminho de nossas mudanças pessoais. O primeiro passo para os que sofrem ou estão no caminho para sofrer de pânico é assumir integralmente a verdade fundamental de que não são as circunstâncias que nos oprimem, mas a minha adesão a essas circunstâncias. Pior que a pressão externa, é a pressão interna provocada por nossa onipotência de querermos ser perfeitos em tudo.
A sensação do pânico, no fundo, é uma sensação de sufocamento interno, é provocado pelo excesso de ordens mentais, pelos "deverias" torturadores:
Você deveria ser uma mãe melhor.
Você não deveria tratar assim as pessoas.
Você deveria ser menos egoísta, mais séria, mais responsável etc.
Na verdade, a síndrome do pânico vem dizer algo extremamente simples: você precisa parar um pouco, relaxar, divertir-se, cuidar de você, descansar, brincar, viver. Em vez de nós mesmos nos protegermos, no sentido de atendermos às nossas próprias necessidades, nós nos desdobramos em atender às necessidades alheias para que nos protejam e nos amem.
Para as pessoas ansiosas, é urgente mudar algumas crenças e valores da nossa cultura que provocam ansiedade. A primeira é a crença no valor da perfeição. Nunca foi, não é, nem será possível ser perfeito. Estamos na vida para vivermos e não para sermos perfeitos. A segunda é o valor da pressa. Aprendemos a confundir rapidez com pressa, com afobação e aceitamos a constante sensação de urgência em tudo o que fazemos. Como diria Guimarães Rosa:
-"Deus é a paciência ... O Diabo é a pressa."
Normalmente, temos vergonha da paciência e muito medo de nos verem como lentos.
A terceira é a crença que para amarmos devemos agradar sempre. O "não" faz parte do amor. Se queremos ser felizes e compartilhar nossa alegria com os outros, temos de dar um "sim" a nós e procurarmos uma vida mais tranqüila, mais divertida, menos responsável e, portanto, mais prazerosa. Amar ao próximo como a si mesmo!
Antônio Roberto
novembro 04, 2009
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